Glaucia Osis Gonçalves

O Natal está chegando… gosto de sentir o cheiro de verão que as plantas exalam nessa época. Lembro-me que, na minha infância, quando sentia esse aroma, as férias começavam e os preparativos para o Natal também. Meu pai providenciava um pinheiro grande que normalmente acrescentava mais uma aroma às minhas lembranças natalinas. Aos domingos, nossas manhãs se iniciavam com o som dos hinos tradicionais com volume bem alto na vitrola – era hora de levantar para ir à igreja. Canções, aromas, decorações, frutas da época – quantas lembranças. As comemorações da véspera de Natal eram simples mas significativas: líamos a história do menino na manjedoura, os anjos cantando, cantávamos ao redor do piano e agradecíamos a Deus pelo presente que ele nos deu.

Essas recordações são alegres e significativas, mas hoje sei como estamos distantes do primeiro Natal, naquele dia. Os aromas tinham mais a ver com excrementos e suor de alguns animais. A música era o mugido de uma vaca, ou o balir de um carneiro. Talvez para completa, o choro de um bebê recém nascido e o sussurar de um casal feliz, que sabe um José um pouco apreensivo com o nascimento num local inusitado, e uma Maria cansada, mas que guardava tudo em seu coração corajoso.

No mundo natural, tudo tão simples. Mas no céu, o dia mais fantástico que a história da humanidade já havia visto: o Deus todo poderoso se fez carne, gente como eu, como você, sujeito a viver no útero de uma mulher, a um parto, ao primeiro fôlego de vida, a ser carregado, alimentado e embalado por mortais. Ele se sujeitou a obedecer às leis naturais que regem a vida do homem.

Ninguém mais poderia dizer: “Deus está longe”, “Ele não compreende”.

Naquele dia incrível a humanidade começaria a ver o rosto de Deus. “… a imagem do Deus invisível …”, descrita na Bíblia em Colossensses 1:15. Em João 1:18 diz que Deus nunca foi visto por alguém, mas Jesus o revelou. Não há festa grande o suficiente para comemorar este dia. Não cabe no entendimento humano a grandeza do Natal. Deus se fazendo um de nós. Agora, quando falo com Deus, não estou me aproximando de uma divindade inacessível, insensível e intocável. Posso me aproximar de Deus porque ele me amou primeiro, e me compreendeu perfeitamente. Mas o Natal era apenas o começo. Nos próximos trinta e três anos Jesus viveria, amaria as pessoas, andaria no meio delas, veria as tragédias e inconsistências do ser humano, seria tentado como nós, mas sem pecado e, por fim, se entregaria como cordeiro para o sacríficio que transformaria o destino eterno de todo aquele que cresse nele. O Natal traz muitas coisas belas e agradáveis, mas nada se compara a conhecer o Jesus do Natal no coração e experimentar a sua paz e a promessa de sua presença todos os dias.

Feliz Natal com Jesus no coração.